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TEMPLO DE SALOMÃO OU DA ABERRAÇÃO?

   O chamado templo de Salomão inaugurado recentemente em São Paulo pela igreja universal, vem ganhando destaque, chamando atenção e impressionando os menos informados.
Parece trazer a ideia de um lugar sagrado, santificado e místico. Ouvi antes da inauguração de um “pastor” num programa de TV em Portugal, convidandot pessoas para uma reunião e que trouxessem cem nomes, pois ele viria à inauguração e colocaria ali os nomes dessas pessoas para que recebessem bênçãos especiais.

O engano é total, pois não há preocupação com a verdade bíblica; apenas com o exterior e aquilo que impressiona, assim como é a própria doutrina dessa denominação, que prega uma vida livre de problemas, se você é cristão.

   Algumas verdades precisam ser ditas a respeito de tudo que está em volta dessa “majestosa” obra. Quero destacar aqui as palavras do pastor Marcos Granconato, que escreveu sobre o assunto:
Entre os erros mais comuns cometidos no meio cristão está o princípio do santuário. Segundo esse princípio, o edifício que a igreja usa para realizar seus cultos e reuniões é um templo, ou seja, uma espécie de lugar sagrado em que habita a divindade, um lugar em que o piso, as paredes e os móveis que guarnecem aquele espaço são revestidos de santidade especial que jamais deve ser maculada.
Que esse princípio está errado é evidente — em primeiro lugar, porque o cristianismo é uma religião sem templos. Desde os seus primórdios, a igreja cristã nunca foi obrigada por qualquer disposição divina a ter um lugar santo onde seus membros devessem se reunir. Se os cristãos de Jerusalém se reuniam no templo (At 2.46), é preciso lembrar que aquela magnífica construção feita por Herodes pertencia ao judaísmo, não ao cristianismo. Além disso, não se deve esquecer que os crentes de Jerusalém se reuniam nos imensos pátios e pórticos do templo (ali não existiam auditórios) porque, sendo judeus, mantinham ainda certos costumes judaicos relativos à prática da oração (At 3.1).
Também é preciso frisar que, como todos em Jerusalém naqueles dias, os cristãos viam os amplos espaços do templo como lugares de convívio social, muito convenientes para seus encontros e para a pregação do evangelho ao povo (At 3.11; 4.1; 5.21,25,42). Ainda, porém, que nutrissem esses costumes, a pregação de Estevão, proferida diante do Sinédrio, mostra que até os crentes judeus do período neotestamentário sabiam que “o Altíssimo não habita em casas feitas por homens…” (At 7.48,49).
Além do mais, é sabido que a igreja do Novo

   Testamento, mesmo em Jerusalém, se reunia nas casas dos crentes (At 2.2,46; 5.42; 12.12). Esse fato se torna ainda mais notório quando são observadas as comunidades cristãs espalhadas pelas diversas cidades distantes de Jerusalém, onde o templo judaico estava. Todas aquelas comunidades se reuniam nos lares, sem jamais se preocupar com a edificação de um “santuário” (At 20.20; Rm 16.5; 1Co 16.19; Cl 4.15; Fm 2).

Aliás, para o cristão da igreja primitiva, a construção de templos era uma prática tipicamente pagã (At 14.13; 19.27,35; 1Co 8.10). Tanto que, ao que parece, foi só no limiar do século 3 que o princípio do santuário começou a integrar o pensamento cristão. Prova disso é que o mais antigo templo cristão já encontrado é uma casa-igreja em Dura-Europos, que foi construída por volta de 232 e destruída em 258.
A suposta conversão do imperador Constantino, ocorrida por volta do ano 312, imprimiu o princípio do santuário com força ainda maior na mentalidade da igreja. Segundo o notável historiador Edward Gibbon, a partir dessa época esse princípio foi totalmente assimilado pelos cristãos. Com isso, as ideias pagãs sobre edificações dedicadas aos deuses foram cristianizadas, e os templos de Júpiter e Minerva foram consagrados a Cristo.

Desde então, muitos líderes eclesiásticos passaram a ensinar que as sedes onde as igrejas locais se reúnem são templos e, com base nisso, inventaram novos rituais e estranhas restrições que têm ares de piedade, mas que não servem para nada.

Por exemplo: muitas igrejas realizam “cultos de consagração” quando terminam a construção de um “templo” novo. Essas consagrações muitas vezes abrangem móveis e utensílios como bancos, instrumentos musicais e microfones. Outras igrejas consideram o púlpito a parte mais sagrada do “santuário” e não permitem que ninguém sequer pise ali, exceto os pastores e os pregadores (como os faxineiros fazem para limpar essas áreas?); outras ainda proíbem que se entre no “templo” fora do horário dos cultos e censuram quem conversa ali depois de findas as reuniões.
Todas essas práticas provam que falta a muitos ministros de hoje uma visão mais bem elaborada acerca do que a Bíblia diz sobre santuários, em especial o templo usado na época do Antigo Testamento. Ora, mesmo um estudo superficial desse assunto revelará que sua análise deve envolver dois aspectos: o interno e o externo.
Em seu aspecto externo, o ensino bíblico sobre o templo judaico aponta para as disposições dadas por Deus sobre o local em que devia ser construído o edifício (Dt 12.4-14), suas dimensões, a maneira que seus móveis e utensílios deviam ser dispostos, os detalhes acerca das práticas a ser realizadas em suas dependências e as normas gerais sobre sua utilização (Êx 25–30).
Já o aspecto interno do ensino sobre o templo realça os santos princípios que cada um dos fatores externos visava a transmitir. É o autor de Hebreus quem ensina claramente que o templo judaico, com suas formas e utensílios, era uma representação de verdades e princípios eternos (Hb 9.1-10). Ora, é sabido que esses princípios são imutáveis e permanentes, enquanto as regulamentações de natureza exterior são mutáveis e passageiras.
A efemeridade do que é meramente exterior no tocante ao templo pode ser comprovada pelo próprio testemunho histórico. O templo de Jerusalém foi destruído pelo general Tito no ano 70 d.C. e jamais foi reconstruído. Aliás, o próprio Senhor predisse essa destruição quando seus discípulos se revelaram admirados com as imensas colunas do templo de Herodes (Mt 24.1,2). Diga-se de passagem que nessa ocasião o Mestre mostrou que o entusiasmo com monumentos religiosos de pedra, tão comum ainda hoje, é vão.
Além disso, mostrando a importância passageira do templo em seu aspecto físico, Jesus disse em outra ocasião, quando conversava com a mulher samaritana, que a época de adorar a Deus levando em conta lugares físicos chegara ao fim (Jo 4.19-24).
O que importa, portanto, para a igreja de Deus, é o “aspecto interno” do ensino sobre o templo. O que significavam todas as disposições exteriores ligadas ao santuário? Para quais verdades apontavam aquelas prescrições? Como a igreja pode observar e viver essas verdades hoje, num tempo em que santuários de pedra não têm mais valor algum?

Pastor Fabiano

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